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Educação

O peso social de dirigir uma escola

Há uma dimensão da gestão escolar que não aparece em demonstração financeira alguma e que, ainda assim, explica boa parte das decisões tomadas pelos donos de colégio. O objetivo deste texto é examinar esse peso, a forma como ele se acumula ao longo dos anos e o efeito que produz sobre o momento e a qualidade das decisões patrimoniais.

A escola como ativo social

A relação de uma escola com o seu público não se esgota no contrato de prestação de serviços. Ela envolve famílias inteiras, a comunidade do entorno e, com frequência, gerações que passaram pela mesma instituição. Disso decorre uma consequência específica: qualquer alteração, seja de metodologia, de mensalidade ou de composição societária, é lida pela comunidade escolar como sinal, e interpretada antes de ser explicada. A reputação funciona como ativo, leva anos para ser construída, é difícil de medir e pode ser perdida em pouco tempo.

Desgaste, sucessão e decisão de venda

Administrar esse ativo desgasta, e o desgaste tem efeito sobre a gestão. Dono cansado adia decisão importante ou decide de forma emocional. Some-se a isso um fator demográfico pouco discutido: as escolas estão envelhecendo junto com os próprios fundadores, muitos já no fim da carreira. Na maioria dos casos não existe sucessão organizada, seja porque os filhos não têm interesse em assumir, seja porque não há sócio ou executivo preparado para a transição.

A combinação entre desgaste e ausência de sucessor alimenta um desejo crescente de vender que nasce do cansaço, e não de má gestão. Escolas saudáveis chegam ao mercado por esse caminho com frequência. O problema aparece depois: sem acompanhamento do próprio valor, esse desejo tende a se converter em decisão apressada, negociada a partir da primeira proposta recebida. Reconhecer o peso social como variável de gestão, e não como queixa pessoal, é o que permite separar o momento emocional do momento adequado para decidir.

O desgaste social empurra o dono de escola para uma decisão de venda que ele nem sempre está preparado para negociar bem.

Conteúdo de natureza educacional e opinativa. Não constitui recomendação de investimento, parecer jurídico ou avaliação para um caso concreto.

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